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19Nov

Parada de interestaduais é permitida no centro de Juiz de Fora


por: Jornal Tribuna de Minas

Depois da polêmica - que começou em 2008 e se arrastou por cerca de quatro anos - envolvendo o embarque e desembarque de ônibus interestaduais fora do Terminal Rodoviário Miguel Mansur, na Zona Norte, a situação das paradas desses coletivos em Juiz de Fora parece ter se resolvido, ao menos para aqueles que têm como origem ou destino algumas das cidades mais próximas no Estado do Rio de Janeiro. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou que as linhas do Rio de Janeiro, de Três Rios e de Paraíba do Sul, que partem de Juiz de Fora ou têm o município como ponto de chegada, realizem parada no terminal da Praça da Estação, localizado no Solar Center, na Avenida Brasil. A medida considera o ponto como um terminal adicional e beneficia as empresas Util e Progresso, mas não permite a abertura de bagageiro fora da rodoviária. Apesar de a autorização ser de 24 de agosto, a Util começou a fazer uso do local apenas a partir de outubro, para embarque e desembarque que ocorrem na cidade entre 20h e 6h50, conforme informado no site da empresa. Já a Progresso iniciou o uso no dia 1º de setembro, em todos os horários.

Desde julho do ano passado, os coletivos da Util que chegavam da cidade do Rio de Janeiro à noite faziam desembarque de passageiros no ponto do Independência Shopping (entrada do Bairro Estrela Sul), na Zona Sul. Apesar de o local ser autorizado para realização de paradas para lanche, os usuários da linha desembarcavam, motivo que provocou a proibição por parte da ANTT em agosto deste ano. Conforme a assessoria da agência, o órgão recebeu reclamações de usuários a respeito da parada no shopping e, após diligências da fiscalização, verificou-se que a empresa utilizava inadequadamente a parada para lanche, o que resultou na proibição. Por isso, os desembarques no local deixaram de ocorrer no final de agosto deste ano, e a nova medida ainda surpreende os usuários do transporte interestadual que não viajam semanalmente.

 Repercussão

O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Antonio Gonçalves, 65 anos, só descobriu que o ônibus não faria parada no shopping depois de embarcar no Rio de Janeiro. O jornalista Nelson Toledo Ferreira já se acostumou com a possibilidade do novo terminal, porque viaja no coletivo da linha Juiz de Fora/Rio semanalmente. "Achei bem melhor a mudança, porque atende a mais gente. No shopping, só favorecia quem mora na Zona Sul. Mas não podemos negar que atrasa um pouquinho a viagem de quem precisa descer na rodoviária."

Segundo o gerente comercial da Progresso, Anderson Pádua, a nova possibilidade melhora o atendimento, principalmente, aos passageiros que precisam fazer com frequência os trechos. "Temos muitos clientes que moram em uma das cidades e trabalham na outra. Há também quem vai a Juiz de Fora em busca de serviços e do comércio. Essa possibilidade facilita para eles, e as pessoas estão satisfeitas."

De acordo com Pádua, desde que uma liminar - permitindo as paradas fora da rodoviária - concedida pela Justiça foi suspensa, em dezembro de 2010, a empresa teve perda de 20% no número de passageiros. "Vamos demorar para recuperar isso, porque, apesar de distribuirmos panfletos e publicarmos no site, muita gente ainda não sabe da novidade. Mas, com o tempo, as pessoas (que têm vindo à cidade em carros de passeio) voltam a fazer os trajetos de ônibus."

O gerente comercial diz que o tempo de viagem entre Três Rios e Juiz de Fora é de uma hora e 20 minutos. Quando os coletivos só podiam parar na rodoviária, os usuários demoravam até mais 40 minutos para conseguir embarcar em um ônibus urbano e descer no Centro da cidade. "Isso fazia o tempo de viagem aumentar muito, o que desmotivava os clientes a viajarem no nosso ônibus. Creio que a nova medida é benéfica até para o trânsito de Juiz de Fora, porque as pessoas deixam de privilegiar o carro."

 Passageiros reivindicam ponto de táxi no local

Apesar das vantagens apontadas pelos passageiros e pelas empresas na possibilidade de embarcar e desembarcar no Centro, alguns dizem que o terminal da Praça da Estação poderia apresentar melhores condições. "Não sou da cidade. Cheguei aqui e fiquei meio perdido. Precisei contar com a ajuda de outro passageiro para descobrir onde fica o ponto de táxi ou de ônibus mais próximo, porque não há placas", diz o professor Antonio Gonçalves. Assim como ele, outras pessoas questionam a inexistência de táxis no terminal. Os pontos mais próximos ficam na Rua Doutor Paulo de Frontin ou do outro lado da Avenida Brasil. "Carregando bolsa pesada e sozinha, à noite, fica complicado", reclama uma passageira que prefere não ser identificada.

De acordo com a assessoria de comunicação da Settra, a demanda sobre a necessidade de táxis no local ainda não havia chegado à pasta por reclamação ou solicitação, mas a secretaria está disposta a discutir a questão e estudar a melhor alternativa. Apesar de, a princípio, considerar inviável instalar outro ponto na Avenida Brasil, a Settra diz que haveria possibilidade de funcionamento no espaço do terminal, mas, para isso, seria preciso que os comerciantes do Solar Center fizessem o pedido e autorizassem. A reportagem tentou falar sobre a demanda com o síndico do Solar Center, mas não o encontrou.

A Tribuna fez contato com a Util, com a intenção de obter a avaliação da empresa sobre a alteração do itinerário, mas o gerente de operações não retornou as ligações.

Quatro anos de luta dos usuários

Antes da nova autorização para que Util e Progresso utilizassem a área na região da Praça da Estação como terminal adicional à rodoviária, com fundamento na Resolução ANTT nº 767/2004, a agência reguladora já havia impedido, por diversas vezes, que os coletivos interestaduais realizassem paradas dentro da cidade. Em 10 de outubro de 2008, começou a vigorar a medida que proibia o embarque e desembarque de passageiros na Praça da Estação, na Avenida Itamar Franco e na Avenida Deusdedit Salgado sob a alegação de falta de estrutura e segurança nos pontos e recorrentes atrasos nas linhas. Na época, os usuários se mobilizaram, e as empresas recorreram à Justiça para tentar reverter a situação. A Progresso conseguiu liminar favorável, mas a Util não.

Um grupo de passageiros prejudicados criou movimento popular para cobrar intervenção das autoridades locais, e uma comissão de vereadores foi formada para tentar mediar o impasse envolvendo a ANTT, as empresas de transporte coletivo interestadual e os passageiros. A Prefeitura também chegou a enviar ofício à agência informando que não se opunha à realização de embarque e desembarque nos limites do município, desde que ocorressem em locais e horários autorizados por decreto municipal. Em entrevista à Tribuna em 2009, a então superintendente de serviços de transporte de passageiros da ANTT, Sonia Haddad, confirmou que estavam descartadas as paradas em pontos de ônibus ao longo da malha urbana, mas explicou que a saída para o problema seria a autorização de um segundo terminal na área central, que tivesse condições de segurança e infraestrutura.

Na ocasião, a Settra insistiu em solicitar o retorno do embarque e desembarque nos pontos de ônibus comuns e, em agosto de 2009, chegou a publicar decreto com a indicação dos locais, o que foi negado pela agência, que entendeu que o decreto indicava "afronta à Constituição Federal" e tentava se sobrepor à Lei 10.233/2001.

Reviravoltas

Em dezembro de 2010, a liminar que permitia à Progresso parar em ponto adicional à rodoviária foi suspensa. Já a Util conseguiu autorização, em julho de 2011, para fazer parada para lanche no Independência Shopping, na Zona Sul. Em agosto de 2012, a ANTT proibiu a parada no shopping, por verificar que a empresa fazia uso do local para desembarque. Para contentamento de usuários, no final do mesmo mês, o órgão publicou autorização para que as duas empresas voltassem a realizar embarque e desembarque no terminal da Praça da Estação.


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