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23Jan

Pioneirismo de Alfredo Ferreira Lage é destaque de conferência em MG


por: http://g1.globo.com/mg/zona-da-mata

A exposição "Simetria e Permanência: A Arte na Fotografia de Alfredo Ferreira Lage", que está no saguão da reitoria da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), termina neste domingo (25). Para marcar a despedida da mostra, será realizada neste sábado (24) a conferência "Panorama do Fotoclubismo no Brasil", do curador da exposição, Pedro Vasquez, mediada por Eridan Leão, da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa). Em conversa com o G1, Pedro Vazquez destacou a importância de Alfredo Ferreira Lage para o fotoclubismo brasileiro.

Pedro Vazquez disse que espera que a exposição tenha despertado a atenção de estudiosos e pesquisadores para procurar mais detalhes sobre o desenvolvimento da fotografia no Brasil e também sobre a vida do criador do Museu Mariano Procópio, Alfredo Ferreira Lage. "Essa é a grande surpresa da exposição. Todo mundo sabe que ele esteve envolvido com a Companhia de Eletricidade, com teatro, com a criação do museu. Era uma pessoa excepcional. Esse lado dele como artista e como precursor do fotoclubismo tinha ficado em segundo plano", destacou.


O evento é voltado para fotógrafos profissionais e amadores, pesquisadores, historiadores, museólogos, artistas visuais, estudantes e comunidade em geral. A conferência será às 11h deste sábado, no auditório da reitoria da UFJF. O evento é gratuito e tem vagas limitadas. Informações sobre as inscrições podem ser obtidas pelo telefone (32) 3690-2027.


Democratização da fotografia


Para o curador, a exposição contribui para manter o Museu Mariano Procópio, fechado desde 2008 e com restauro retomado em 2014, próximo da comunidade. "Meu papel é oferecer respaldo técnico e conhecimento histórico. Foi uma iniciativa da direção do museu, algo especial, uma percepção de um lado ainda desconhecido e uma iniciativa para manter o museu vivo", reforçou Pedro Vasquez. Doze das 25 fotos da mostra foram usadas no calendário 2015 distribuído pela instituição.

Escritor e fotógrafo, formado em Cinema pela Université de la Sorbonne, na França, e mestre em Ciência da Arte pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Pedro Vasquez explicou que, atualmente, o fato de qualquer pessoa poder fotografar com câmeras de celular concretizou o sonho iniciado pelos fotoclubistas: a democratização da fotografia. "Entre os séculos 19 e 20, foram disponibilizados a câmera e o filme de rolo que registrava as imagens para ser reveladas. Isso era considerado antigamente o marco da democracia da fotografia, qualquer um poderia fazer as fotos. Hoje em dia a tecnologia digital realmente permite que qualquer pessoa se expresse através da fotografia, não importa se é selfie, registro de viagem, de festa. A fotografia que surgiu no século 19 só se tornou democrática no tempo atual, quando a gente realmente aperta o botão e a máquina faz o resto", explicou.

Pedro Vasquez lembrou que a fotografia era um hobby que exigia tempo, dinheiro, conhecimento e pesquisas nos séculos 19 e 20. "Quando começa o fotoclubismo, a fotografia era muito complicada. O filme e o papel eram pré-fabricados, mas o revelador tinha que ser preparado em casa, o que exigia um laboratório. Os fotoclubistas são amadores porque não dependem financeiramente da fotografia. No século 20, eles tinham recursos para instalar laboratório e comprar equipamentos da Europa, além de tempo de aprendizado, inclusive de conceitos de química, para preparar o revelador do filme e do papel", explicou.

Pedro Vazquez destacou ainda que os resultados são vistos atualmente na internet e nas redes sociais. "É uma época muito boa para a democratização da imagem. A prova é que a gente vê mais fotoblogs, cada vez mais coisas surgindo na internet, novos programas de compartilhamento e edição de imagem. Esses truques que os programas de edição oferecem atualmente eram muito difíceis", afirmou.

O fotoclube foi pioneiro neste desenvolvimento, segundo Vasquez. "Havia concursos, uma competição sadia pelo desenvolvimento da fotografia. E havia troca de informações, porque os brasileiros enviavam as fotos para os salões internacionais, expunham na França, Rússia, na antiga Tchecoslováquia, na Polônia. Havia um intercâmbio internacional de criação entre os envolvidos", explicou.

Durante a conferência, Pedro Vasquez fará um breve apanhado da história do fotoclube. Segundo ele, existem poucos atualmente. "Minas Gerais tem história precursora em diferentes setores, uma importância inquestionável em diferentes campos da cultura do Brasil", afirmou.
Para Vasquez, Alfredo Ferreira Lage tem papel relevante neste contexto. "Ele não era somente um ótimo fotógrafo. Fez parte do grupo fundador do fotoclube no Rio de Janeiro e também foi presidente. Esta exposição foi um marco importante para firmar o nome dele como um dos principais fotógrafos no início do século 20. Na vanguarda deste movimento, ele fomentou a atividade tentando abrir espaços para os outros. Se a exposição ajudar a despertar nas pessoas o interesse por esta história, será a melhor coisa que vai acontecer", finalizou.

 


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