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03Set

Tecnologia esbarra em salários baixo


por: Jornal Tribuna de Minas

Juiz de Fora, assim como quase todos os centros urbanos do país, está de olho no potencial econômico do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), que cresce mês após mês. Mas, além de boas ideias e da articulação de novos espaços para o desenvolvimento de empresas do ramo, a cidade tem um desafio a mais a vencer: os salários oferecidos. Segundo especialistas e trabalhadores do setor, os valores praticados para a remuneração inicial de profissionais da área chegam a ser 57% mais baixos que a média nacional, que é de R$ 1.977, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). E é esse o principal empecilho para a retenção de mão de obra qualificada.

 "É uma área que tem crescido muito. A cidade oferece capacitação, através de cursos técnicos e formação superior, mas perde muitos profissionais para outros municípios", afirma o diretor do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), professor Luiz Carlos Tonelli. Segundo ele, a cidade tem vocação para as áreas de biotecnologia, eletroeletrônicos e, principalmente, desenvolvimento de softwares. Este último perfil é o mais encontrado entre os empreendimentos instalados na Incubadora de Base Tecnológica (IBT) do Critt.

 Atualmente, três empresas de TIC estão alocadas na IBT, recebendo infraestrutura e capacitação necessária para a realização de soluções no setor. Uma delas é a BGP Seguros e Tecnologia que, desde março, trabalha no desenvolvimento do software Lead Control. "É uma ferramenta para o gerenciamento e monitoramento em tempo real de contatos feitos através de formulários de sites", explica o gestor do departamento de tecnologia da empresa, Robson Papandréa. Ele conta que demorou 50 dias para conseguir contratar a profissional que hoje atua na empresa como analista de sistemas. "Há uma grande dificuldade de encontrar mão de obra especializada, por isso as empresas precisam incentivar a permanência dos colaboradores através de remunerações justas e qualificação permanente."

 A opinião é compartilhada por Petherson Lacerda, um dos sócios da empresa Aprimorar. O empreendimento, que também teve início na IBT do Critt e hoje está consolidado no mercado, possui 14 colaboradores e já atendeu mais de cem clientes. "O fato de necessitarmos de mão de obra especializada dificulta, porém acredito que com a valorização do profissional seja possível reter talentos."

 Por conta dos baixos salários, o profissional Rodrigo Brandão, 26 anos, decidiu buscar oportunidades em outros municípios. Foi assim que ele conquistou a vaga de desenvolvedor e analista de informação em uma empresa estrangeira com atuação no Rio de Janeiro. "Trabalho oito horas por dia no sistema de homeworker. Desenvolvo os projetos da minha casa, em Juiz de Fora, para a companhia." Segundo ele, uma vaga semelhante no mercado juiz-forano tem remuneração dois terços menor. "Trabalho com php, e a linguagem não é bem valorizada na região."

Setor aposta em Parque Tecnológico

 Para o coordenador do curso de Sistema de Informação do Centro de Ensino Superior (CES), professor Marco Antônio Pereira Araújo, a situação pode ser revertida com a chegada de grandes empresas. "A média salarial está abaixo dos grandes centros, mas pode melhorar com a entrada de novos nomes no mercado." Neste contexto, a inauguração do Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora é aguardada como oportunidade para impulsionar o setor. "É um empreendimento que irá oferecer condições para as empresas competirem. A tecnologia é um setor de vanguarda que agrega conhecimento e permite a geração de empregos formais com maiores salários. Juiz de Fora quer tornar-se referência nesta área", informa o secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, André Zuchi. Como forma de incentivo, a PJF estuda, segundo ele, a possibilidade de redução da alíquota de 15% do Imposto de Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para 2%.

 O Parque Tecnológico é uma iniciativa da UFJF, que deve divulgar até 30 de setembro o edital para as obras de infraestrutura e construção da sede administrativa. Na última quarta-feira, foram assinados os primeiros protocolos de intenções para instalação da empresa portuguesa de semicondutores Nanium no local. Serão investidos R$ 30 milhões, e há previsão de abertura de 150 vagas. Na ocasião, o reitor da UFJF, Henrique Duque, afirmou que 50 empresas já teriam manifestado interesse de se instalar no parque.

Abertura de negócio próprio é alternatiiva

 A alternativa para os baixos salários pode ser a abertura do próprio negócio. De acordo com o professor Luiz Carlos Tonelli, dentre as vantagens do setor de TIC estão o baixo custo para iniciar um negócio e a ausência de barreiras físicas para as transações. "Se você tem um computador, pode começar a oferecer serviços para qualquer lugar." Ele destaca que o perfil jovem dos profissionais da área também contribui para o empreendedorismo no setor. "Boa parte das pessoas que atuam no segmento está na faixa entre 20 e 40 anos. Muitos montam empresas durante a faculdade."

 Este foi o caso do empresário Cláudio Vidal. Há três anos, enquanto ainda cursava a faculdade de tecnologias em rede, em Juiz de Fora, montou a empresa Adonay Soluções em Tecnologia. Ele conta que o interesse pela área começou na infância, brincando com o computador em casa. "Foi assim que decidi estudar e trabalhar no setor. Quando percebi que existia mercado na cidade, resolvi montar meu próprio negócio." Ele alerta, porém, para as dificuldades de gerir uma empresa. "Exige dedicação, comprometimento, responsabilidade e pessoas competentes ao seu lado para que tudo dê certo."

   

Clientela

 O histórico de desenvolvimento econômico juiz-forano voltado para as áreas de comércio e serviços não representa obstáculo para o crescimento do setor de TIC, segundo o professor Marco Antônio Pereira Araújo. "Pelo contrário, o setor pode se beneficiar deste fator. Os profissionais da área realizam trabalhos de manutenção, consultoria e desenvolvimento de softwares para outros segmentos." Segundo empresários do ramo, o setor de prestação de serviços é o principal cliente das empresas, sendo, em algumas delas, responsável por 70% da demanda. Em seguida, estão comércio e indústria. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam a situação no cenário nacional, sendo serviços (51,8%), setor público (18,2%), indústria (12,9%) e comércio (5,4%) os principais setores atendidos.

 Marco Antônio acrescenta que o aumento das vendas de smartphone e tablet também incrementa as demandas do setor de TIC. "A produção de aplicativos para estes equipamentos é um dos serviços que tem crescido bastante." Dados da consultoria de tecnologia International Data Corporation (IDC) mostram que, no Brasil, 370 mil tablets foram vendidos durante o primeiro trimestre de 2012, o que representa aumento de 351% em relação ao mesmo período do ano passado. Já pesquisa da Anatel comprovou que o número de terminais móveis ativos com acesso à internet cresceu 99% no ano passado, subindo de 20,6 milhões, em 2010, para 41,1 milhões em 2011.


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